Repetindo o sucesso da sessão inaugural, o público novamente compareceu em grande número ao segundo dia do Fantaspoa. Ao preço de R$ 2,00 por sessão, os espectadores puderam conferir 36 curtas-metragens de animação, sendo oito deles brasileiros.
Freqüentemente estigmatizados como limitados e infantis, os curtas de animação integraram todo um dia da programação do festival e revelaram, em sua maioria, uma faceta bem diferente daquela preconceituosa.
Muitos dos títulos exibidos versam sobre temas que sempre afligiram o ser humano, como, entre outros, o amor e a morte. O exemplar brasileiro A Última Noite, de Guilherme Rezende (2008) e o espanhol The Lady and the Reaper, de Javier Recio Gracia (2009), são ótimos exemplares que unem ambos os temas, em uma abordagem bem-humorada. No primeiro, um casal de defuntos desfruta de um jantar romântico no cemitério e, no segundo, uma senhora deseja morrer para reencontrar o falecido marido, mas suas tentativas são frustradas por um jovem médico exibido, que insiste em salvá-la.
Entre os títulos estavam ainda Josué e o Pé de Macaxeira (2009), de Diogo Viegas, escolhido pelo júri popular como Melhor Animação Brasileira no Anima Mundi e O Jumento Santo na Cidade que Se Acabou Antes de Começar, de Leo D. e William Paiva (2006); ambas, simpáticas histórias de temática nordestina.
Diversas técnicas de animação foram empregadas nos curtas exibidos ao longo do sábado, da animação tradicional à digital, em terceira dimensão, além de stop-motion e outras. Os diretores britânicos Ben Richardson e Daniel Bird utilizaram desta última na criação do perturbador Seed (2009), que faz através dos personagens de um ovo e uma maçã que disputam por transmissões de rádio uma metáfora para a sobrevivência. Outro curta marcante, o alemão Hybris (2009), de Florian Schnell, Martin Minsel e Patrick Müller, mescla diversas técnicas, como rotoscopia, pixilation e filmagens reais, obtendo impressionantes texturas, de encher os olhos dos espectadores mais exigentes.
Beatriz Saldanha
Para o blog do Fantaspoa
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Noite de abertura do VI Fantaspoa: “É Preciso Amar a Morte”
Aconteceu na noite de sexta-feira (02), no Cine Bancários, a sessão de abertura do VI Fantaspoa. Bastante disputada, com lotação total da sala e pessoas sentadas nos degraus, a sessão apresentou É Preciso Amar a Morte (2009), produção alemã integrante da mostra competitiva deste ano.
O filme é uma mistura de dois gêneros aparentemente discrepantes: horror extremo e comédia, mais especificamente, comédia romântica. Seu protagonista é um músico de estúdio frustrado com suas desventuras amorosas que organiza com um grupo, numa casa de campo afastada, um suicídio coletivo. Porém, os outros membros do grupo acabam prendendo-o e submetendo-o a seguidas sessões de tortura. Paralelamente, em flashbacks, é mostrada a última empreitada amorosa do protagonista.
É Preciso Amar a Morte divide em duas espécies de segmentos os trechos de cunho horrífico e os momentos românticos, enquanto a comédia é presente em ambos. Essa segmentação raramente funciona, fazendo com que os personagens e subtramas de um pareçam estranhos à narrativa do outro. Uma reflexão interessante, no entanto, é proposta em relação aos filmes “torture porn”; subgênero que, para muitos, já atingiu o seu limite de violência. Esse aspecto é inserido através dos algozes do protagonista, que filmam em forma de espetáculo para os espectadores do cinema suas vítimas sendo torturadas, algo semelhante ao polêmico Violência Gratuita (1997), mas utilizam do humor como elemento apaziguador.

Depois da sessão, os espectadores puderam conversar com o diretor, Andreas Schaap, que falou sobre as inspirações e influências para o seu primeiro longa-metragem, É Preciso Amar a Morte, que a despeito de eventuais falhas e inconsistências, é um impressionante trabalho de conclusão de curso de cinema, com acabamento profissional; e respondeu perguntas referentes à parte técnica do filme, à produção e ao conteúdo.
Beatriz Saldanha
Para o blog do Fantaspoa
O filme é uma mistura de dois gêneros aparentemente discrepantes: horror extremo e comédia, mais especificamente, comédia romântica. Seu protagonista é um músico de estúdio frustrado com suas desventuras amorosas que organiza com um grupo, numa casa de campo afastada, um suicídio coletivo. Porém, os outros membros do grupo acabam prendendo-o e submetendo-o a seguidas sessões de tortura. Paralelamente, em flashbacks, é mostrada a última empreitada amorosa do protagonista.
É Preciso Amar a Morte divide em duas espécies de segmentos os trechos de cunho horrífico e os momentos românticos, enquanto a comédia é presente em ambos. Essa segmentação raramente funciona, fazendo com que os personagens e subtramas de um pareçam estranhos à narrativa do outro. Uma reflexão interessante, no entanto, é proposta em relação aos filmes “torture porn”; subgênero que, para muitos, já atingiu o seu limite de violência. Esse aspecto é inserido através dos algozes do protagonista, que filmam em forma de espetáculo para os espectadores do cinema suas vítimas sendo torturadas, algo semelhante ao polêmico Violência Gratuita (1997), mas utilizam do humor como elemento apaziguador.

Depois da sessão, os espectadores puderam conversar com o diretor, Andreas Schaap, que falou sobre as inspirações e influências para o seu primeiro longa-metragem, É Preciso Amar a Morte, que a despeito de eventuais falhas e inconsistências, é um impressionante trabalho de conclusão de curso de cinema, com acabamento profissional; e respondeu perguntas referentes à parte técnica do filme, à produção e ao conteúdo.
Beatriz Saldanha
Para o blog do Fantaspoa
Errr... Tem algum leitor aí?
Bem, finalmente, depois do turbilhão de final de semestre, posso voltar a escrever. Estou em Porto Alegre para a sexta edição do Fantaspoa, um dos maiores festivais de cinema fantástico da América Latina. Julho é, sem dúvida, a época mais divertida do ano! Além de desfrutar das minhas almejadas férias, posso fazê-lo assistindo cerca de 40 filmes aqui em Porto Alegre, a capital mais simpática do país! Estão por aqui ninguém menos que Carlos Primati, Laura Cánepa, Leandro Caraça, Carlos Thomaz Albornoz, Felipe M. Guerra, Blob, Marcelo Severo, Cristian Verardi... Só gente boa! Eu fui convidada para ser jurada dos filmes de animação, então já podem imaginar o quanto tenho me divertido. Além disso, tenho feito a cobertura do evento, juntamente do Carlos Primati, para o blog oficial. Vou colocar aqui os textos que tenho escrito para lá. Quem sabe, ao final do festival, eu continue a falar sobre Fear Itself: Antologia do Medo e este blog ganhe uns textos exclusivos?
domingo, 11 de abril de 2010
Fear Itself: Antologia do Medo (3-4)
Um Homem de Família
Um dedicado pai de família sai para trabalhar após uma missa na igreja, mas seu carro choca-se violentamente contra uma caminhonete em um cruzamento. Ele morre e logo ressuscita no corpo de um assassino acusado de, entre outros crimes, 26 homicídios; alcunhado de “Um Homem de Família” por ter matado a sua própria, aos 12 anos. O criminoso, por sua vez, acorda no corpo do homem inocente e começa a usurpar sua vida, propondo mantê-lo atualizado na cadeia sobre sua família em troca de o outro ensinar-lhe a viver sua vida.
Dirigido por Ronny Yu, o episódio possui um clima bem diferente de seus últimos trabalhos no horror, A Noiva de Chucky (1998) e Freddy vs. Jason (2003), marcados essencialmente pela comédia. Um Homem de Família é carregado de tensão e chega a ser angustiante de tão dramático. Caracteriza bem o forte aspecto de ceticismo que domina a série, com finais predominantemente ruins. A direção de Yu é segura, assim como as atuações dos protagonistas, o que garante um episódio bem acima da média.
Na Saúde e Na Doença
No dia do seu casamento, enquanto arruma-se na igreja, uma noiva recebe através do padre um bilhete que revela nada menos que a pessoa com quem ela vai casar é um assassino em série. Desesperada, a mulher arrepende-se de ter noivado tão rápido, e fica num dilema sobre confrontar ou não o noivo.
Dirigido por John Landis, que dispensa apresentações, é um dos poucos episódios de cunho cômico, e vale-se de um final surpresa sem qualquer justificativa – além da surpresa, claro. A igreja, praticamente o único cenário utilizado, serve perfeitamente de ambientação, com sua pouca luminosidade e assustadoras imagens sacras. Em alguns momentos, parece que a trama vai debandar para um giallo, mas apenas parece; talvez tenha sido a maneira que o diretor encontrou para citar o subgênero italiano. Tal qual o episódio anterior, este merece destaque.
Um dedicado pai de família sai para trabalhar após uma missa na igreja, mas seu carro choca-se violentamente contra uma caminhonete em um cruzamento. Ele morre e logo ressuscita no corpo de um assassino acusado de, entre outros crimes, 26 homicídios; alcunhado de “Um Homem de Família” por ter matado a sua própria, aos 12 anos. O criminoso, por sua vez, acorda no corpo do homem inocente e começa a usurpar sua vida, propondo mantê-lo atualizado na cadeia sobre sua família em troca de o outro ensinar-lhe a viver sua vida.
Dirigido por Ronny Yu, o episódio possui um clima bem diferente de seus últimos trabalhos no horror, A Noiva de Chucky (1998) e Freddy vs. Jason (2003), marcados essencialmente pela comédia. Um Homem de Família é carregado de tensão e chega a ser angustiante de tão dramático. Caracteriza bem o forte aspecto de ceticismo que domina a série, com finais predominantemente ruins. A direção de Yu é segura, assim como as atuações dos protagonistas, o que garante um episódio bem acima da média.
Na Saúde e Na Doença
No dia do seu casamento, enquanto arruma-se na igreja, uma noiva recebe através do padre um bilhete que revela nada menos que a pessoa com quem ela vai casar é um assassino em série. Desesperada, a mulher arrepende-se de ter noivado tão rápido, e fica num dilema sobre confrontar ou não o noivo.
Dirigido por John Landis, que dispensa apresentações, é um dos poucos episódios de cunho cômico, e vale-se de um final surpresa sem qualquer justificativa – além da surpresa, claro. A igreja, praticamente o único cenário utilizado, serve perfeitamente de ambientação, com sua pouca luminosidade e assustadoras imagens sacras. Em alguns momentos, parece que a trama vai debandar para um giallo, mas apenas parece; talvez tenha sido a maneira que o diretor encontrou para citar o subgênero italiano. Tal qual o episódio anterior, este merece destaque.
sábado, 3 de abril de 2010
Fear Itself: Antologia do Medo (1-2)
Recentemente, minha irmã apareceu aqui em casa com os DVDs da série Fear Itself: Antologia do Medo. Novidades desse tipo sempre me empolgam e, como ando sem tempo, uma antologia me pareceu uma boa idéia para não ficar tão alheia ao cinema de horror, pois os episódios possuem metade do tempo de um longa-metragem, além de temas bem variados. Confesso que ainda não assisti Mestres do Horror (já pedi que um amigo providenciasse as duas temporadas para mim, a fim de correr logo atrás do prejuízo), mas, claro, sei das boas referências da série, e fiquei ainda mais animada quando vi Fear Itself foi feita praticamente pelo mesmo pessoal (produtores, diretores, roteiristas). Conforme for assistindo, pretendo deixar aqui algumas impressões. Sem mais delongas, vamos aos primeiros episódios:
O Sacrifício
O primeiro deles, dirigido por Breck Eisner, é inspirado num conto de Del Howison, escritor de histórias de horror que fez algumas incursões pelo cinema como ator. Trabalhou especialmente nos filmes “terróticos” (terror erótico) de Donald F. Glut, interpretando Renfield, o ajudante do Conde Drácula.
O Sacrifício é a história de um grupo de foras-da-lei (alguém, além de mim, ainda usa esse termo?) que tenta escapar de um policial, mas, com um homem ferido e o carro quebrado, acabam procurando ajuda em uma espécie de forte isolado no meio da neve. Lá vivem três jovens e belas irmãs que parecem ter parado no tempo, e que logo se revelam uma ameaça ao grupo de criminosos.
Episódios de antologias têm tudo a ver com os contos da literatura: possuem o menor número de ambientes possível, poucos personagens, apenas um núcleo narrativo etc. São, de fato, uma ótima fonte para este tipo de formato. Sucinto, O Sacrifício escapa de uma armadilha muito comum aos episódios de antologia, a incapacidade de concisão, mas perde pontos por narrar uma história simplória demais, com soluções pouco convincentes e personagens caricatos. A maquiagem de Greg Nicotero e sua equipe proporciona os melhores momentos do episódio. Eisner, o diretor, é o responsável pela refilmagem de The Crazies (2010), de George Romero.
Às Voltas com o Passado
Um pouco mais interessante é o segundo episódio, com Eric Roberts no papel de um policial que detesta armas de fogo e orgulha-se de nunca tê-las usado em serviço, mas que trata os suspeitos de crimes com abominável violência. Quando acaba matando um deles durante um interrogatório, é afastado do serviço e começa a trabalhar como detetive particular, encarregado por esposas traídas de flagrar seus maridos infiéis. Um dia, é contratado por uma mulher desconfiada de que o marido leva amantes para casa durante sua ausência. Ela pede que o detetive observe o seu marido a partir de uma casa abandonada do outro lado da rua, mas, lá, ele passa a ter uma série de visões estranhas relacionadas ao seu obscuro passado.
Às Voltas com o Passado inicia muito bem, mas decai justamente em seu clímax, passando de narrativa gótica a uma história quase convencional de vingança, não fosse a marcante presença do sobrenatural. Uma cena memorável, assustadora, entremeia estes níveis. O personagem de Eric Roberts, decididamente maldito fragilizado por uma culpa infantil, é, certamente, um dos melhores da antologia.
O Sacrifício
O primeiro deles, dirigido por Breck Eisner, é inspirado num conto de Del Howison, escritor de histórias de horror que fez algumas incursões pelo cinema como ator. Trabalhou especialmente nos filmes “terróticos” (terror erótico) de Donald F. Glut, interpretando Renfield, o ajudante do Conde Drácula.
O Sacrifício é a história de um grupo de foras-da-lei (alguém, além de mim, ainda usa esse termo?) que tenta escapar de um policial, mas, com um homem ferido e o carro quebrado, acabam procurando ajuda em uma espécie de forte isolado no meio da neve. Lá vivem três jovens e belas irmãs que parecem ter parado no tempo, e que logo se revelam uma ameaça ao grupo de criminosos.
Episódios de antologias têm tudo a ver com os contos da literatura: possuem o menor número de ambientes possível, poucos personagens, apenas um núcleo narrativo etc. São, de fato, uma ótima fonte para este tipo de formato. Sucinto, O Sacrifício escapa de uma armadilha muito comum aos episódios de antologia, a incapacidade de concisão, mas perde pontos por narrar uma história simplória demais, com soluções pouco convincentes e personagens caricatos. A maquiagem de Greg Nicotero e sua equipe proporciona os melhores momentos do episódio. Eisner, o diretor, é o responsável pela refilmagem de The Crazies (2010), de George Romero.
Às Voltas com o Passado
Um pouco mais interessante é o segundo episódio, com Eric Roberts no papel de um policial que detesta armas de fogo e orgulha-se de nunca tê-las usado em serviço, mas que trata os suspeitos de crimes com abominável violência. Quando acaba matando um deles durante um interrogatório, é afastado do serviço e começa a trabalhar como detetive particular, encarregado por esposas traídas de flagrar seus maridos infiéis. Um dia, é contratado por uma mulher desconfiada de que o marido leva amantes para casa durante sua ausência. Ela pede que o detetive observe o seu marido a partir de uma casa abandonada do outro lado da rua, mas, lá, ele passa a ter uma série de visões estranhas relacionadas ao seu obscuro passado.
Às Voltas com o Passado inicia muito bem, mas decai justamente em seu clímax, passando de narrativa gótica a uma história quase convencional de vingança, não fosse a marcante presença do sobrenatural. Uma cena memorável, assustadora, entremeia estes níveis. O personagem de Eric Roberts, decididamente maldito fragilizado por uma culpa infantil, é, certamente, um dos melhores da antologia.
domingo, 14 de março de 2010
O Lobisomem (2010)
Primeiramente, gostaria de pedir desculpa aos possíveis leitores pela ausência. Eu voltei à faculdade esse semestre e está um pouco difícil arrumar tempo para assistir a filmes e escrever. Mas acredito que seja apenas uma questão de adaptação à nova rotina. Tentarei manter o blog sempre atualizado com críticas, notícias, vídeos e quaisquer outras coisas relacionadas ao horror. Sem mais desculpas, aí vai meu comentário sobre O Lobisomem:
No final do século XIX, na Inglaterra vitoriana, Lawrence Talbot recebe uma carta da esposa de seu irmão, com um pedido: seu marido desapareceu e ela necessita da ajuda do cunhado para procurá-lo. Lawrence retorna à casa do pai, lugar que não freqüentava desde que presenciara a estranha morte da mãe. Lá, descobre que, durante a viagem, seu irmão foi encontrado morto, assassinado por uma terrível besta, pela qual Lawrence também é atacado, mas consegue sobreviver. Uma cigana revela que ele sofre agora de uma maldição da qual só a mulher amada pode livrá-lo.

Comum em tramas que exploram o folclore dos lobisomens, logo de início percebe-se o contraste entre a suposta ignorância provinciana e o soberbo e racional comportamento metropolitano, que consiste em desconsiderar hipóteses sobrenaturais. Aspecto pertinente, já que a maioria das lendas que povoam o imaginário infantil e adulto são originadas de pequenos centros rurais. Hugo Weaving representa um arrogante detetive vindo da capital, que, como todos os outros personagens da trama, são superficiais e caricatos. A atuação de Benicio del Toro (que, ironicamente, interpreta um respeitado ator shakespeariano) parece um arremedo da performance de Lon Chaney Jr. em O Lobisomem (1941), que já não era das melhores. Anthony Hopkins repete o papel cada vez mais comum de velho astuto e impassível que interpreta desde a sua marcante participação em O Silêncio dos Inocentes (1991).
A geral falta de ambição do enredo e as soluções simplórias escolhidas para diversas situações são típicas de alguns filmes infanto-juvenis ruins. Até mesmo a ambientação em Londres do período vitoriano, cujo apelo poderia ser um grande atrativo, possui caráter meramente ilustrativo, apenas icônico. As tentativas de momentos climáticos são mínimas, o que torna difícil provocar emoções como suspense ou medo, sendo mais comuns apenas alguns covardes sustos provocados pela trilha sonora.
Para o fã do gore, a diversão é garantida. Os efeitos computadorizados e a maquiagem realista de Rick Baker tornam possível um lobisomem convincente, de formas mais humanas, mais parecidas com a caracterização de Chaney Jr. do que com o monstro que lhe rendeu um Oscar, em Um Lobisomem Americano em Londres (1981).
No final do século XIX, na Inglaterra vitoriana, Lawrence Talbot recebe uma carta da esposa de seu irmão, com um pedido: seu marido desapareceu e ela necessita da ajuda do cunhado para procurá-lo. Lawrence retorna à casa do pai, lugar que não freqüentava desde que presenciara a estranha morte da mãe. Lá, descobre que, durante a viagem, seu irmão foi encontrado morto, assassinado por uma terrível besta, pela qual Lawrence também é atacado, mas consegue sobreviver. Uma cigana revela que ele sofre agora de uma maldição da qual só a mulher amada pode livrá-lo.

Comum em tramas que exploram o folclore dos lobisomens, logo de início percebe-se o contraste entre a suposta ignorância provinciana e o soberbo e racional comportamento metropolitano, que consiste em desconsiderar hipóteses sobrenaturais. Aspecto pertinente, já que a maioria das lendas que povoam o imaginário infantil e adulto são originadas de pequenos centros rurais. Hugo Weaving representa um arrogante detetive vindo da capital, que, como todos os outros personagens da trama, são superficiais e caricatos. A atuação de Benicio del Toro (que, ironicamente, interpreta um respeitado ator shakespeariano) parece um arremedo da performance de Lon Chaney Jr. em O Lobisomem (1941), que já não era das melhores. Anthony Hopkins repete o papel cada vez mais comum de velho astuto e impassível que interpreta desde a sua marcante participação em O Silêncio dos Inocentes (1991).
A geral falta de ambição do enredo e as soluções simplórias escolhidas para diversas situações são típicas de alguns filmes infanto-juvenis ruins. Até mesmo a ambientação em Londres do período vitoriano, cujo apelo poderia ser um grande atrativo, possui caráter meramente ilustrativo, apenas icônico. As tentativas de momentos climáticos são mínimas, o que torna difícil provocar emoções como suspense ou medo, sendo mais comuns apenas alguns covardes sustos provocados pela trilha sonora.
Para o fã do gore, a diversão é garantida. Os efeitos computadorizados e a maquiagem realista de Rick Baker tornam possível um lobisomem convincente, de formas mais humanas, mais parecidas com a caracterização de Chaney Jr. do que com o monstro que lhe rendeu um Oscar, em Um Lobisomem Americano em Londres (1981).
sábado, 13 de março de 2010
Fantaspoa 2010: comunicado sobre três diferentes assuntos
Prezados,
Daqui a quatro meses estará ocorrendo o VI Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Em virtude disso, estamos enviando o seguinte e-mail para tratar de três assuntos: (1) a submissão de curtas-metragens para seleção; (2) a programação do festival de 2010; e (3) a continuidade do festival após o ano de 2010.
(1) Inscrições Abertas para curtas-metragens:
O Fantaspoa está com inscrições abertas para a mostra competitiva de curtas-metragens. As inscrições vão até o dia 15 de abril. Podem ser submetidos filmes realizados após 2006 e dos gêneros fantasia, ficção-científica, horror e suspense. Para maiores informações, entre em contato pelo e-mail fantaspoa@fantaspoa.com
(2) A Programação do Festival de 2010:
Aqueles que acompanham o evento se surpreenderão com a programação que iremos apresentar em 2010. A Competição Internacional contará com uma série de títulos de grande importância que vem marcando presença em alguns dos mais importantes festivais de cinema do mundo (de gênero fantástico ou não). Uma maior diversidade de gêneros estará presente, assim como de países. As mostras paralelas serão bem variadas e o que podemos adiantar é a presença do renomado diretor italiano Luigi Cozzi. Entre os dias 06 e 09 de julho, ele fará uma série de palestras. Cozzi dirigiu mais de 15 longas-metragens (dentre eles, “Starcrash”, “Alien Contamination” e “Paganini Horror”) e trabalhou com atores como David Hasselhoff, Caroline Munro, Lou Ferrigno, Klaus Kinski e Donald Pleasence. Também escreveu roteiros de filmes realizados por colegas talentosos, como Dario Argento, Lamberto Bava e Joe D’Amato. Dentre uma série de outras mostras, o VI Fantaspoa exibirá uma mostra retrospectiva do trabalho de Luigi, contendo 12 de suas obras.
E o ponto principal:
(3) A Continuidade do Festival após o Ano de 2010:
Inicialmente queremos esclarecer que sabemos que algumas pessoas não apreciam o nosso festival, seja pelos filmes que exibimos, ou pelo fato de exibirmos a maioria dos filmes em DVD e em Blu-Ray. Somente queríamos deixá-los a par do fato que recentemente fizemos um levantamento de custos para podermos trazer filmes em 35 MM esse ano. Como nenhum dos filmes que exibimos possui cópias no Brasil, a média de frete (ida e volta) da Europa e EUA, é de aproximadamente R$10.000,00 POR filme. Além disso, existe a cobrança de taxas para exibição de uma série de filmes. Por exemplo, poderíamos exibir um dos filmes vencedores do festival de Cannes esse ano e, além do valor do frete, teríamos que pagar uma fee (taxa de exibição) de R$2.500,00.
Já lemos em diversos sites e blogs reclamações sobre a nossa programação e que deveríamos trazer uma série de filmes, dentre os quais podemos citar somente alguns: Martyrs, The Children, Frontier(s), Dead Snow, ZMD e Must Love Death. O que as pessoas não sabem é que nós TENTAMOS trazer cada um desses filmes e todos se enquadram no caso acima. Ou seja, além de uma fee exorbitante, a obrigatoriedade da exibição em película.
Para aqueles que conhecem mais de perto o nosso evento sabem que realizamos o mesmo com auto-investimento e que o nosso orçamento total gira em torno de R$25.000,00 e que, portanto, pagar fees de R$2.500,00 ou trazer filmes em outras mídias se tornam inviável. Além disso, as salas que utilizamos não possuem projetores de HDCam nem Digibeta. Além do valor que investimos a fundo perdido, temos todo o trabalho de produzir o festival, selecionar e legendar cada um dos filmes. Nós não temos nenhum apoiador/patrocinador, público ou privado que cubra os gastos do festival e os mesmos se tornaram altos demais para continuarmos com o projeto.
Estamos tentando aprimorar o nosso evento, apesar da dificuldade de receber qualquer apoio e patrocínio realmente significativo. Pelo segundo ano estamos inscritos na Lei Rouanet e apesar de contatarmos uma série de empresas, não estamos conseguindo nenhum tipo de apoio.
Se por acaso você conhece alguma empresa que possa nos apoiar, peço que nos passem o contato do responsável, para que possamos enviar o nosso projeto para eles. Um evento independente, que em uma cidade como Porto Alegre, nas salas do centro, leva 6.000 espectadores ao cinema ao longo de somente dezoito dias não deveria simplesmente deixar de existir. E infelizmente isso acontecerá caso a situação não mude em 2010.
Nós realmente precisamos de apoio urgente para que o festival não seja cancelado, e o apoio necessário é financeiro. Você pode ajudar publicando essa mensagem em seu site, blog ou enviando para os amigos.
João Pedro Fleck e Nicolas Tonsho
Blog do Fantaspoa.
Daqui a quatro meses estará ocorrendo o VI Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Em virtude disso, estamos enviando o seguinte e-mail para tratar de três assuntos: (1) a submissão de curtas-metragens para seleção; (2) a programação do festival de 2010; e (3) a continuidade do festival após o ano de 2010.
(1) Inscrições Abertas para curtas-metragens:
O Fantaspoa está com inscrições abertas para a mostra competitiva de curtas-metragens. As inscrições vão até o dia 15 de abril. Podem ser submetidos filmes realizados após 2006 e dos gêneros fantasia, ficção-científica, horror e suspense. Para maiores informações, entre em contato pelo e-mail fantaspoa@fantaspoa.com
(2) A Programação do Festival de 2010:
Aqueles que acompanham o evento se surpreenderão com a programação que iremos apresentar em 2010. A Competição Internacional contará com uma série de títulos de grande importância que vem marcando presença em alguns dos mais importantes festivais de cinema do mundo (de gênero fantástico ou não). Uma maior diversidade de gêneros estará presente, assim como de países. As mostras paralelas serão bem variadas e o que podemos adiantar é a presença do renomado diretor italiano Luigi Cozzi. Entre os dias 06 e 09 de julho, ele fará uma série de palestras. Cozzi dirigiu mais de 15 longas-metragens (dentre eles, “Starcrash”, “Alien Contamination” e “Paganini Horror”) e trabalhou com atores como David Hasselhoff, Caroline Munro, Lou Ferrigno, Klaus Kinski e Donald Pleasence. Também escreveu roteiros de filmes realizados por colegas talentosos, como Dario Argento, Lamberto Bava e Joe D’Amato. Dentre uma série de outras mostras, o VI Fantaspoa exibirá uma mostra retrospectiva do trabalho de Luigi, contendo 12 de suas obras.
E o ponto principal:
(3) A Continuidade do Festival após o Ano de 2010:
Inicialmente queremos esclarecer que sabemos que algumas pessoas não apreciam o nosso festival, seja pelos filmes que exibimos, ou pelo fato de exibirmos a maioria dos filmes em DVD e em Blu-Ray. Somente queríamos deixá-los a par do fato que recentemente fizemos um levantamento de custos para podermos trazer filmes em 35 MM esse ano. Como nenhum dos filmes que exibimos possui cópias no Brasil, a média de frete (ida e volta) da Europa e EUA, é de aproximadamente R$10.000,00 POR filme. Além disso, existe a cobrança de taxas para exibição de uma série de filmes. Por exemplo, poderíamos exibir um dos filmes vencedores do festival de Cannes esse ano e, além do valor do frete, teríamos que pagar uma fee (taxa de exibição) de R$2.500,00.
Já lemos em diversos sites e blogs reclamações sobre a nossa programação e que deveríamos trazer uma série de filmes, dentre os quais podemos citar somente alguns: Martyrs, The Children, Frontier(s), Dead Snow, ZMD e Must Love Death. O que as pessoas não sabem é que nós TENTAMOS trazer cada um desses filmes e todos se enquadram no caso acima. Ou seja, além de uma fee exorbitante, a obrigatoriedade da exibição em película.
Para aqueles que conhecem mais de perto o nosso evento sabem que realizamos o mesmo com auto-investimento e que o nosso orçamento total gira em torno de R$25.000,00 e que, portanto, pagar fees de R$2.500,00 ou trazer filmes em outras mídias se tornam inviável. Além disso, as salas que utilizamos não possuem projetores de HDCam nem Digibeta. Além do valor que investimos a fundo perdido, temos todo o trabalho de produzir o festival, selecionar e legendar cada um dos filmes. Nós não temos nenhum apoiador/patrocinador, público ou privado que cubra os gastos do festival e os mesmos se tornaram altos demais para continuarmos com o projeto.
Estamos tentando aprimorar o nosso evento, apesar da dificuldade de receber qualquer apoio e patrocínio realmente significativo. Pelo segundo ano estamos inscritos na Lei Rouanet e apesar de contatarmos uma série de empresas, não estamos conseguindo nenhum tipo de apoio.
Se por acaso você conhece alguma empresa que possa nos apoiar, peço que nos passem o contato do responsável, para que possamos enviar o nosso projeto para eles. Um evento independente, que em uma cidade como Porto Alegre, nas salas do centro, leva 6.000 espectadores ao cinema ao longo de somente dezoito dias não deveria simplesmente deixar de existir. E infelizmente isso acontecerá caso a situação não mude em 2010.
Nós realmente precisamos de apoio urgente para que o festival não seja cancelado, e o apoio necessário é financeiro. Você pode ajudar publicando essa mensagem em seu site, blog ou enviando para os amigos.
João Pedro Fleck e Nicolas Tonsho
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